terça-feira, 17 de junho de 2014

Compreensão e leveza



Valores e sentimentos


Quem senti sabe


"Às vezes é preciso dormir, dormir muito. Não pra fugir, mas pra descansar a alma dos sentimentos. Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe quão difícil é engolir a vida. Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente. Inteira."

__Marla de queiroz

O abraço


"Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante."

__Ana Jácomo

Eu assim


"Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria que fossem inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir."

__Ana Jácomo

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ECOENERGY- Congresso

IV CONGRESSO ECOENERGY - “Solenidade de abertura:
Enersolar+ Brasil

Na sessão de abertura, as autoridades farão um breve relato sobre a importância do evento no contexto ” As energias renováveis minimizando os riscos de uma crise energética”.

Foram convidados para solenidade de Abertura: Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, Secretário de Energia de São Paulo – Ricardo Achilles, Senador Aécio Neves, Dep. Federal José Aníbal, Presidente da ABEEolica – Dra. Elbia Melo, Vice-Presidente da ABSOLAR – Carlos Faria.

EMPRESAS E ENTIDADES CONVIDADAS: ANEEL, EPE, SECTEC/PE, AEOLICA, ABSOLAR, ABRAVA/DASOL, CEMIG, ELETROBRAS, CPFL, ELETROPAULO, BNDES, CAIXA ECONOMICA FEDERAL, CEFET/RJ, INSTITUTO IDEAL, ENERSUL, UTFPR, INPE, DUPONT/ CAMARA SETORIAL ABINEE, VIS, soletrol, ABRAGEL

Temas que serão desenvolvidos durante o evento:
Políticas de desenvolvimento energético.
“ A Energia eólica no contexto crise energética”
Apresentação da ABSOLAR-A posição da ABSOLAR no desenvolvimento da energia solar no Brasil.
“linhas de financiamento do BNDES para energias renováveis”
“Oportunidades e desafios do setor fotovoltaico no Brasil”
“Oportunidades e desafios do setor solar térmico no Brasil”
“Incentivos e Linhas de Financiamento da Caixa para as energias renováveis”
“Concentrador Solar”
“O instituto Ideal e os incentivos as energias renováveis”
“Projetos de pesquisa e desenvolvimento na área fotovoltaica – Chamada 13/2011″
“Geração conjunta Eólica e Fotovoltaica: Janela de oportunidade”
“Desafios e programas de capacitação e certificação de profissionais do setor de energia solar fotovoltaico”
“Sistemas fotovoltaicos residenciais: Aspectos técnicos e regulamentação”
“Sistemas fotovoltaicos residenciais: A experiência das Distribuidora”
“Como o mercado FV está reagindo à crise energética brasileira”
“Atlas Brasileiro de Energia Solar”
“Energia Fotovoltaica no estado do Paraná”
“Panorama da energia Solar Fotovoltaica no Brasil”
“Panorama geral das políticas de financiamento de sistemas de energia solar fotovoltaica”

Valores

De 21/05 a 20/06 - R$ 250,00
De 21/06 a 10/07 - R$ 290,00
Durante o evento: R$ 320,00As Energias Renováveis Minimizando os Riscos de Uma crise Energética”

http://www.fieramilano.com.br/enersolar/?page_id=178

Focinhos Sem Lar - Ajude, Adote, Hospede ou Apadrinhe! Contato: focinhossemlar@hotmail.com: Thor!

Focinhos Sem Lar - Ajude, Adote, Hospede ou Apadrinhe! Contato: focinhossemlar@hotmail.com: Thor!:    Esse lindo tem em torno de 8 meses e foi abandonado em frente à Faculdade de Medicina Veterinária da UFRGS. Foi tratado, fez a cir...

Novo Genocídio pode acontecer? Ruanda Ruanda

"Novo genocídio pode acontecer", diz homem que inspirou filme "Hotel Ruanda"

Paul Rusesabagina, cuja história inspirou o filme "Hotel Ruanda"

  • Paul Rusesabagina, cuja história inspirou o filme "Hotel Ruanda"
    • Em 1994, os sete milhões de habitantes de Ruanda eram compostos aproximadamente por 85% de hutus e 15% de tutsis. Estes últimos, em sua maioria, pertenciam à elite do país, que era vista como responsáveis por grande parte das desigualdades sociais e dificuldades econômicas de Ruanda. Através do uso de propaganda e de manobras políticas, o então presidente, o hutu Juvénal Habyarimana, e seus partidários aumentavam as divisões e as tensões entre as duas etnias.
    • No dia 6 de abril de 1994, o avião em que Habyarimana viajava foi derrubado, dando início à perseguição e ao assassinato de tutsis em todo o país. Cerca de três meses depois, mais de 800 mil pessoas haviam sido mortas, em sua maior parte tutsis, mas também hutus acusados de colaborar com a minoria. Estima-se que o genocídio de Ruanda tenha eliminado cerca de 75% dos tutsis do país.
    • Entre os poucos que conseguiram escapar, estão aqueles que se refugiaram no Hotel des Milles Colines, em Kigali, capital do país. Por meio de negociações, o gerente do hotel, Paul Rusesabagina, ajudou a evitar a morte de mais de 1.200 pessoas durante o genocídio, em um episódio que serviu de inspiração para o filme "Hotel Ruanda" (2004).
    • Em entrevista ao UOL, Rusesabagina conta como fez para sobreviver aos assassinatos e diz que novo genocídio em Ruanda "pode acontecer a qualquer hora"

    • UOL: Como você explica o fato de o hotel ter sido poupado dos massacres?PR: Houve muitos fatores. Por exemplo, dizemos que em Ruanda dois homens nunca podem se sentar e conversar sem uma bebida, e às vezes eu podia oferecer bebidas para as pessoas que iam ao hotel, e essas pessoas podiam ajudar a nos proteger. Eu conversava com cada pessoa que chegava ao hotel, e a conversa sempre terminava com um acordo. Mesmo com os assassinos, eu conversava sempre com o objetivo de encontrar uma solução. Por mais duro que um coração seja, sempre há um ponto vulnerável. Então eu tentava encontrar esse ponto, para que as pessoas simpatizassem com a situação em que nos encontrávamos. E com isso, sempre conseguia um acordo.  Ajudou muito também o fato de ter uma linha telefônica no hotel capaz de fazer ligações internacionais. Eu podia ligar para a Europa, para os Estados Unidos, para as Nações Unidas.  Mas acredito que as vidas daquelas pessoas foram salvas, principalmente, por causa das palavras. Hoje, é isso que pretendo mostrar com o trabalho de minha fundação [Em 2005, Rusesabagina criou a Fundação Hotel Ruanda Rusesabagina, para ajudar vítimas do genocídio e promover a paz na região central da África]. Meu objetivo é mostrar que, por meio do diálogo, podemos alcançar a paz. Conversando, e falo isso por experiência própria, podemos resolver todos os conflitos. Durante o genocídio, eu tentei salvar as pessoas usando as palavras, porque eu não tinha uma arma.  UOL: Houve momentos em que você acreditou que não conseguiria escapar com vida?    PR: Em certo momento eu já sabia que o Milles Colines era um dos lugares mais visados do país. Porque os assassinos estavam procurando por intelectuais, políticos e empresários, e eu tinha muitos deles em meu hotel. A elite do país estava refugiada no hotel, e os hutus estavam tentando matá-los, mas sem sucesso. Eles não podiam matar as pessoas abrigadas no Milles Colines sem antes me matar. Então eles decidiram me matar. Eles me disseram isso, e eu decidi que antes que me matassem poderia fazer mais alguma pequena coisa para evitar isso. E continuei fazendo pequenas coisas. Eu estava tão desesperado, sabia que seria morto, por isso continuei fazendo o que podia a cada minuto, até o fim. Quando tudo terminou, estava surpreso ao perceber que estava vivo.


       UOL: Você e sua família deixaram Ruanda logo após o genocídio?PR: Diferente do que o filme mostra, eu não saí do país imediatamente. Fiquei em Ruanda porque tinha algumas ilusões, acreditava na paz e achava que podia ajudar a reconstruir o país. Fui embora em setembro de 1996, porque minha vida estava em risco. Decidi me mudar depois que um membro do serviço de inteligência militar foi à minha casa para me matar. Fui alertado por um grito de minha empregada e escapei por sorte. No dia seguinte, seu chefe foi ao meu trabalho e disse que o homem não estava com uma arma, que era um brinquedo. Eu sei como é uma arma, e aquele homem tinha uma. Naquela mesma tarde eu me exilei do país.    UOL: E por que pretendiam matá-lo?
    • PR: Por vários motivos. Um deles é que o novo governo nunca quis ajudar quem sabia demais, e eu sabia demais. Em segundo lugar, eles não queriam no país pessoas vistas como heróis ou como alguém que fez algo extraordinário. Em terceiro, eles queriam meu cargo. Eu era um gerente em uma empresa privada [Rusesabagina trabalhava para uma rede de hotelaria belga], e alguém em algum lugar queria meu cargo. Eu também era muito crítico em relação ao novo governo, que tomou o poder de assassinos e se transformou em um bando de assassinos também.  Não estou completamente seguro na Bélgica, a minha casa já foi invadida cinco vezes. Em 2005, tentaram me matar em um acidente de carro. Em 2007, o embaixador de Ruanda na Bélgica alugou uma casa atrás da minha, tentando me intimidar e monitorar meus movimentos. Tenho sido um alvo do governo há anos.  Por conta da falta de segurança, decidi levar meus filhos mais novos para estudar nos Estados Unidos, e desde 2008 divido meu tempo entre o país e a Bélgica.  UOL: Você voltou para Ruanda alguma vez?    PR: Em 2003, produtores de "Hotel Ruanda" queriam confirmar se a história do Milles Collines era verdadeira. Então em fevereiro viajei para o país com a equipe de produção do filme e começamos a entrevistar as pessoas que haviam se refugiado no hotel. Em julho de 2004, dois meses antes da estreia do filme, voltei a Ruanda com meus filhos mais novos. Queria mostrar a eles o nosso país antes que "Hotel Ruanda" fosse lançado. Sabia que o filme retrataria a mim, um hutu, como herói, e com isso eu não poderia mais voltar a Ruanda.  UOL: O que achou do filme? A história contada foi fiel à realidade?   PR: Eu estive envolvido na produção de "Hotel Ruanda" desde o início. Passei uma semana com o ator que faria meu papel [Don Cheaddle], bebemos juntos, saímos juntos. Eu estava lá durante todas as etapas de produção do filme, exceto, pelo final que diz que deixei o país imediatamente, concordo 100% com o que foi mostrado. No entanto, em alguns momentos considero o filme menos violento do que a vida real. Porque na vida real, foi muito mais difícil e muito mais violento.   Insisti que se fizesse um filme sobre o hotel, sobre a minha vida, e não sobre o genocídio. A razão pela qual não consegui entrar em acordo com muitos cineastas e estúdios é que eles queriam retratar o genocídio, e eu queria contar uma história completamente diferente. Eu queria mostrar às pessoas como elas podem fazer a diferença em uma situação difícil.   UOL: Você acredita que pode haver um novo genocídio em Ruanda?  PR: O que aconteceu em 1994 está acontecendo agora. Você vê muitos hutus sendo mortos por tutsis hoje. Você vê hutus sendo humilhados e em algum momento eles irão buscar vingança. Pode acontecer a qualquer hora, por isso comparo Ruanda a um vulcão prestes a entrar em erupção.  Refugiados hutus estão sendo assassinados no Congo há mais de dez anos. Pessoas vulneráveis, como idosos, mulheres e crianças, que não podem fugir. Após o genocídio, começamos a ver hutus sendo espancados nas ruas, houve o massacre de Kibeho, onde milhares de pessoas em um campo de refugiados hutu foram mortas. Isso foi apenas um ano após o genocídio. Você tem um lado vencedor, os tutsis, e um lado que foi subjugado, os hutus, e criou-se uma situação de vingança que é um desastre total. Estamos muito longe de ter justiça e direitos iguais em Ruanda.
    • http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/04/06/homem-que-inspirou-filme-hotel-ruanda-acredita-que-pais-pode-ter-novo-genocidio.htm#fotoNav=1

RUANDA 20 ANOS DEPOIS...

Ruanda
Levine Mukasakufu (à dir.) e sua filha, Josiane Nizumfura (à esq.). Hoje elas estão em paz

Internacional:The Observer

Ruanda 20 anos depois: o trágico depoimento dos filhos do estupro
Duas décadas depois do genocídio, jornalista ouve o depoimento de mulheres que foram estupradas, e dos filhos que nasceram em consequência disso.
Por Lindsey Hilsum




Quando Josiane Nizomfur fez 12 anos, ela quis conhecer seu pai, por isso escapou da escola e foi ao julgamento público onde sua mãe estava depondo contra ele por estupro.

Levine Mukasakufu nunca havia contado a Josiane as circunstâncias de seu nascimento. "Eu não podia enfrentar isso, e ela ficou sabendo pelos vizinhos", disse. Levine – uma mulher pequena e delicada, que parece um passarinho colorido em sua tradicional saia enrolada – é uma das 500 mil mulheres violentadas durante o genocídio em Ruanda em 1994, quando a etnia hutu do país, sob ordens de seus líderes, tentou eliminar a minoria tutsi.

Então com 21 anos, Levine e outras jovens de Kibilizi, a 130 quilômetros ao sul da capital, Kigali, foram obrigadas a se reunir no campo de futebol da cidade. Os Interahamwe, a milícia hutu que liderou os massacres dos tutsis, escolheram as que queriam, forçando-as até os campos de banana e milhete ao redor onde foram estupradas por grupos de homens. "O estupro era a recompensa que os líderes davam aos que matavam", disse Levine. "É por isso que eu não amava minha filha – seu pai foi quem matou minha família. Eu também queria matá-la."

Quando Levine descobriu que sua filha tinha visto seu depoimento, ela a espancou a noite toda. Foi um de muitos ataques. Depois que não conseguiu abortar o bebê, ela frequentemente batia em Josiane quando era criança. "Se ela fizesse qualquer travessura, eu dizia que era igual ao pai, uma Interahamwe. Eu a expulsava, dizendo: 'Esta é uma casa tutsi, e você não pertence aqui'", disse ela.

Esta semana, a Cúpula Global para o Fim da Violência Sexual em Conflitos, organizada pelo secretário das Relações Exteriores britânico, William Hague, e a atriz Angelina Jodie, pretende colocar vítimas como Levine e Josiane no centro das investigações de crimes de guerra. Os governos deverão assinar um novo protocolo para documentar ataques sexuais em tempo de guerra e adotar programas para ensinar a seus soldados que o estupro é um crime de guerra, e não uma consequência inevitável do conflito.

Apesar de o estupro ainda ocorrer em todas as guerras, ele foi especialmente disseminado em Ruanda e as consequências são sentidas até hoje. O Tribunal Penal Internacional para Ruanda concluiu que o estupro foi uma parte integral do genocídio. "A violência sexual foi um passo no processo de destruição do grupo tutsi... destruição do espírito, da vontade de viver e da própria vida", disse o veredicto sobre os líderes hutus que organizaram o genocídio na região de Butare, que inclui Kibilizi.

A ONU estimou inicialmente que 5 mil crianças nasceram de estupros no genocídio de 1994, mas o Fundo de Sobreviventes – uma instituição de caridade britânica que trabalha em Ruanda – acredita que o número pode chegar a 20 mil.

Diferentemente dos órfãos de genocídio, os filhos do estupro não se qualificam para ajuda governamental e muitos vivem na pobreza. Os programas de ajuda geralmente se concentraram na dificuldade das mulheres violentadas, dando pouca atenção às crianças, que cresceram sentindo-se rejeitadas por suas mães e estigmatizadas pela comunidade. Em Ruanda, a etnia vem pela linhagem paterna, por isso as sobreviventes tutsis chamam as crianças Interahamwe de "filho de uma cobra", enquanto os parentes dos estupradores hutus muitas vezes dizem às crianças que suas mães são malditas por deporem contra seus pais e colocá-los na cadeia.

Marie Josée Ukeye, uma terapeuta que aconselha 22 mulheres estupradas e 12 crianças em Kibilizi, diz que as crianças têm problemas de comportamento que só podem ser superados com anos de terapia em grupo. "As meninas adolescentes têm vergonha e muitas vezes assumem o sofrimento de suas mães, enquanto os meninos têm acessos de mau humor explosivos", disse ela. Como uma sobrevivente do genocídio, Ukeye vem realizando reuniões duas vezes por semana com as mulheres e as crianças há sete anos, ajudando-as a expressar-se e a superar sua raiva e sua dor.

No costume de Ruanda, uma criança recebe um nome cristão e um kinyarwanda. Epiphane Mukamakombe, que fez várias tentativas de abortar, chamou seu filho de Olivier Utabazi, que significa "ele pertence a eles". Ela se recusou a amamentá-lo e tentou matá-lo quando era bebê. De alguma forma ele sobreviveu.

Hoje com 19 anos, Olivier diz que compreende porque sua mãe era cruel com ele, mas continua assombrado pelo pai que não consegue odiar. "Por um lado eu o culpo porque ele estuprou minha mãe e não a ajudou a me criar", disse ele. "Mas por outro não sei se era realmente um homem mau."

Quando criança ele era retraído e agressivo. No ano passado sua mãe juntou todo o seu dinheiro para mandá-lo estudar construção. Ele sonha em ser engenheiro e tem esperanças de uma vida melhor, mas sua atitude em relação ao estupro é confusa. "Talvez eles fossem matar minha mãe e então meu pai disse: 'se você nos deixar fazer sexo com você, não mataremos', por isso mamãe teve de concordar", disse o jovem. O estupro é errado, diz Olivier, mas ele parece mais perturbado por sua própria identidade confusa, dizendo que sente vergonha e raiva toda vez que tem de preencher um formulário que pede o nome do pai.

Para sua mãe, os últimos 20 anos foram uma batalha simplesmente para aceitar a existência de Olivier. "Eu sentia que ele era um Interahamwe", disse Epiphane. Mas com o tempo ela percebeu que, como toda a sua família foi morta no genocídio, o menino era tudo o que ela tinha. Ela ainda teme os parentes do homem que a estuprou, acusando-os de atirar pedras contra sua casa e de envenenar sua vaca. Olivier fornece uma espécie de proteção, apesar de passar a maior parte do tempo na escola. "O amor veio depois, quando eu percebi que Deus me deu esse filho e ele é a única família que tenho", disse ela. "Não posso acusá-lo pelo modo como ele nasceu."

Uma vez por semana as mulheres se juntam para trabalhar em mutirão nos pequenos campos à beira da aldeia. Inclinadas para recolher os grãos para secar, elas riem enquanto trabalham, achando conforto na companhia das outras e no conhecimento de que não estão sozinhas. Como agricultoras de subsistência extremamente pobres, poucas podem pagar por mão-de-obra, e mesmo que pudessem elas dizem que os trabalhadores podem ser parentes dos estupradores presos e não querem interagir com eles. O estigma do estupro nunca desaparece, e elas dizem que seus vizinhos hutus às vezes ainda as chamam de prostitutas.

Algumas mulheres enlouqueceram com o sofrimento e passaram o trauma para seus filhos. Epiphanie Kanziga foi estuprada mais vezes do que ela consegue se lembrar e teve uma filha, Adeline Uwasi – nome que significa "do pai dela". As duas vivem em uma casa de um cômodo. O piso de terra fica alagado quando chove e um banco de ônibus velho, com as molas saltando através do plástico, serve de sofá. Quando Adeline tinha 3 anos, Epiphanie a deixou na floresta, acreditando que o genocídio continuava e ela precisava ser escondida. Em outra ocasião ela bateu em sua cabeça com um pau, ferindo-a tanto que a criança teve de ser hospitalizada. Frágil e chorosa, hoje Epiphanie conta com Adeline para cuidar dela durante a temporada anual de comemoração, quando os ruandenses marcam os cem dias de genocídio, a partir de 7 de abril.

Vestida em seu uniforme escolar azul-real, Adeline tem sonhos de ir à Europa ou de conseguir um emprego em um banco, mas está atrasada na escola e fala em monossílabos, tão baixo que quase não é escutada. Muito consciente de sua posição como forasteira, ela certa vez disse a sua mãe que não tinha importância que ela não tivesse mais filhos, pois ninguém da comunidade lhes traria presentes quando nasce um bebê, à maneira tradicional. Ela acha difícil confiar nos homens e os considera mentirosos. "Eu não acho que eles têm amor", disse, olhando para os pés.

Na última quinta-feira perto do escritório distrital de Kibilizi, onde 20 anos atrás líderes locais hutus e Interahamwe se reuniram para planejar o genocídio, os aldeões se preparavam para reenterrar os ossos dos que foram chacinados. Mais de 3 mil foram mortos nessa área, e todo o ano mais corpos são encontrados em covas coletivas e em fossas. Levine Mukasakufu estava no comando, usando luvas brancas de borracha para colocar cadáveres mumificados em caixões de madeira rústica pintados de branco, todos decorados com cruzes. Ela puxou uma lona azul e revelou dezenas de cadáveres, congelados na posição do momento da morte, um deles com as mãos para cima como se suplicasse por piedade. Um homem delicadamente puxou os restos de uma criança que devia ter 6 anos, com os joelhos dobrados como se ele ou ela estivesse dormindo.

Uma das mulheres não aguentou e começou a chorar, mas Levine se manteve forte, decidida a que os membros de sua família tivessem um enterro decente. Ao contrário de outras mulheres, ela teve mais cinco filhos. Josiane, que ela atacou por ter ido ver seu pai, tornou-se uma mulher truculenta e autoconfiante, duas vezes maior que sua mãe. Elas alcançaram um acordo, uma maneira de se tolerarem. Os dias de gritos e brigas terminaram.

"A violência sexual é um crime como nenhum outro", disse Marie Josée. "Ele afeta todos os aspectos da vida de uma pessoa – mental, físico, social. Destrói tudo." No entanto, ela acredita que as crianças têm uma chance de forjar suas próprias vidas se completarem os estudos. "Eu vi que grande tristeza é ser um filho do estupro", disse ela. "Mas também vi que os seres humanos, não importa pelo que eles tenham passado, podem progredir e melhorar."

Assombradas pela morte e o estupro, condenadas à pobreza, as mulheres têm pouca esperança de felicidade. Só os filhos têm alguma chance de deixar o passado para trás.

Leia mais em Guardian.co.uk
http://www.cartacapital.com.br/internacional/ruanda-20-anos-depois-o-tragico-depoimento-dos-filhos-do-estupro-8812.html

domingo, 15 de junho de 2014

Minha auto reflexão do fim de semana.

Vaidade

“O homem, pois, em grande número de casos,é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.”

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V. Bem-aventurados os Aflitos. Causas Atuais das Aflições.)
A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. Destacamos adiante as suas facetas mais comuns:
  1. Apresentação pessoal exuberante (no vestir, nos adornos usados, nos gestos afetados, no falai demasiado);
  2. Evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa, ou a algo que realiza;
  3. Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais com notória antipatia provocada aos demais;
  4. Intolerância para com aqueles cuja condição social ou intelectual é mais humilde, não evitando a eles referências desairosas;
  5. Aspiração a cargos ou posições de destaque que acentuem as referências respeitosas ou elogiosas à sua pessoa;
  6. Não reconhecimento de sua própria culpabilidade nas situações de descontentamento diante de infortúnios por que passa;
  7. Obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando suas possíveis falhas ou erros, culpando vagamente a sorte, a infelicidade imerecida, o azar.
A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós. Dela os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios amigos e familiares. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito. De alguma forma e de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certa­mente válido, até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.
A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes, reflete, quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete, satisfaz a sua necessidade pessoal de ser observado, comentado, “badalado”. No íntimo, o protagonista reflete, naquela aparência toda, grande insegurança e acentuada carência de afeto que nele residem, oriundas de muitos fatores desencadeados na infância e na adolescência. Fixações de imagens que, quando criança, identificou em algumas pessoas aparentemente felizes, bem sucedidas, comentadas, admiradas, cujos gestos e maneiras de apresentação foram tomados como modelo a seguir.
O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como.
O mais prejudicial nisso tudo é que as fixações mentais nos personagens selecionados podem estabelecer e conduzir a enormes bloqueios do sentimento, levando as criaturas a assumirem um caráter endurecido, insensível, de atitudes frias e grosseiras. O Aprendiz do Evangelho terá aí um extraordinário campo de reflexão, de análise tranqüila, para aprofundar-se até as raízes que geraram aquelas deformações, ao mesmo tempo que precisa identificar suas características autênticas, o seu verdadeiro modo de ser, para então despir a roupagem teatral que utilizava e colocar­se amadurecidamente, assumindo todo o seu íntimo, com disposição de melhorar sempre.
Manual Prático do Espírita – Ney Prieto Peres
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/comportamento/orgulho-e-vaidade.html

Me peguei analisando todo o contexto das minhas relações interpessoais e pessoais.
De fato convivo e necessito de me adaptar o tempo todo a muitas situações.
Hora que não posso mudar hora que está em minhas mãos.
Enfim situações podem gerar em nós uma forma de imagem que não percebemos.
Mas analisando nosso dia a dia e refletindo nossas ações podemos nos ver agindo de maneira não muito condizente com nosso propósito.
Senti falta de paz interior e não entendia porque, senti vazio por dentro...aperto no peito, angustia,
hora, hora, não é que percebi que o que me faltava era o direcionamento no foco dos meus objetivos
com confiança em quem sou e no que faço. Mas tenho consciência que passo por essas armadilhas que meu
próprio ego me colocam para aprender e crescer em atitudes. Acredito na Tríade

TRABALHO/FAMÍLIA/RELIGIÃO. Mas sendo a mesma pessoa em todos estes contextos.
Viver não é fácil, conviver é difícil e crescer dói!!!!
Mas esse é o sentido da vida...senão por que outra causa estaríamos aqui?
Alguém se habilita a responder e compartilhar?
Bora lá somar...boa semana para todos!!!!
Luzanin. ♥

sábado, 7 de junho de 2014

Curtindo...♥


Curtindo...♥


Sacode menina!!!!



http://pluralreligioso.blogspot.com.br/

BLOG FUTURO ESTÁ AQUI: Câmara aprova adaptação de parquinhos para criança...

BLOG FUTURO ESTÁ AQUI: Câmara aprova adaptação de parquinhos para criança...: TV CÂMARA Marcos Rogério recomendou a aprovação de emenda que exclui menção ao Orçamento.  A Comissão de Const...

Bom dia gente!!!!! Com http://mixdesabedorias.blogspot.com.br/.



"E o que move meus dias são os clichês mais bobos, inclusive que dias melhores virão, que quem quer faz valer a pena, que nada acontece por acaso, que a fé move montanhas, que Deus sabe o que faz... e que quem faz o bem atrai o melhor da terra!"
Tatiana Zanella



A dificuldade deveria ser pensada melhor pois quando a inércia existe não existe dificuldade.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pense mesmo...

Se as pessoas não sonharem mais, não criarem seu próprio mundo interior, em contraste com sua existência medíocre, não conseguirão sobreviver. 
Wolfagan

Simples assim... esse cara falou tudo. Só esqueceu do cavalo. ♥

A grandeza de uma profissão é talvez, antes de tudo, unir os homens: não há senão um verdadeiro luxo e esse é o das relações humanas.
Antoine de Saint-ExupéryEncerremo-nos lá dentro solitários com nossa moeda de cinzas que não pode ser trocada por coisa alguma que "valha pena VIVER.



























Canção amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.


http://www.algumapoesia.com.br/

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Uma boa reflexão


Percepção



Quando você perde o contato com sua calma interior, perde contato com você mesma. Quando perde esse contato, fica perdido no mundo. Sua mais íntima noção de si mesmo, de quem você é, não pode ser separada da calma. Ela é o EU SOU,mais profundo do que seu nome e sua forma externa. ECKHART TOLLE

EU


RecadosOnline

Ziraldo/Comênio/Rubem/Pacheco/Pestalozzi

Ziraldo/Comênio/Rubem/Pacheco/Pestalozzi

Skinner

Skinner
Comportamental ♥

Aaron Beck, psiquiatra e preconizador da Terapia Cognitiva

Aaron Beck, psiquiatra e preconizador da Terapia Cognitiva

Psicanálise ♥

Psicanálise ♥
Sigmund Freud

Só uma professora muito maluquinha sabe ver em toda situação uma oportunidade.

Só uma professora muito maluquinha sabe ver em toda situação uma oportunidade.

Primeira Infância...♥

Primeira Infância...♥

A mediação do professor deve respeitar o tempo da criança...♥

A mediação do professor deve respeitar o tempo da criança...♥

Escola da Ponte

"Será indispensável alterar a organização das escolas, interrogar práticas educativas dominantes. É urgente interferir humanamente no íntimo das comunidades humanas, questionar convicções e, fraternalmente, incomodar os acomodados", afirma José Pacheco.

SIMPLES ASSIM....

SIMPLES ASSIM....

Amo Psicologia

Eu sigo

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IMPORTANTE:

Todas imagens aqui postadas e várias mensagens são de autoria de outros blogs que sigo e de alguns lugares da internet. Algumas mensagens são de minha autoria. O meu ideal é a divulgação de assuntos, textos, artigos, mensagens, imagens ou seja tudo, que possa ajudar a elevar nossa energia e que nos faça sentir melhor, buscando a força em nosso Pai Maior e seus anjos. Se eu ofender a alguém com algum post sem ter dado o devido crédito peço perdão e por favor me comuniquem. (luedimar21@gmail.com)
Obrigada queridos (as) irmãos e irmãs.

Mostrou o amor e o perdão

Mostrou o amor e o perdão
Caridade da doação

Prece de Cáritas

Prece de Cáritas
Deus nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade,dai força aquele que passa pela provação, dai a luz aquele que procura a verdade, pondo no coração do homem a compaixão e a caridade.Deus dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao Espírito Verdade, a criança o guia, ao órfão o pai.Senhor que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criaste, piedade senhor para aqueles que não os conhecem e esperança para aqueles que sofrem. Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz,a esperança e a fé. Deus, um raio uma faísca do vosso amor pode abrasar a Terra,deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.Um só coração, um só pensamento subirá até vós,como um grito de reconhecimento e de amor.Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! bondade oh! beleza oh! perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia. Deus dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós, dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão, dai-nos a simplicidade que fara´das nossas almas o espelho onde se refletirá a vossa imagem. Que assim seja!